Foto: Gustavo Mejía/JEC (arquivo).
Em meio à crise financeira e ao desgaste político que marcaram a reta final de sua gestão, Darthanhan de Oliveira apresentou a renúncia à presidência do Joinville Esporte Clube nesta quinta-feira (1º). Ele leu a carta em reunião com a diretoria do Conselho Deliberativo e deixará o cargo na segunda-feira, 5 de outubro. A informação foi confirmada ao Esporte Joinville por um conselheiro que participou do encontro.
A saída encerra antecipadamente um mandato que se estenderia até 2028. Eleito em outubro de 2022 e reeleito em 2024, Darthanhan chega ao fim de quase quatro anos à frente do projeto com o time rebaixado à segunda divisão catarinense, pendências salariais relatadas à reportagem, contas de 2025 rejeitadas e cobranças do Conselho Fiscal por documentos contábeis.
A trajetória teve uma melhora esportiva em 2025, quando o JEC voltou à Série D, alcançou a semifinal do Catarinense e foi vice da Copa Santa Catarina. Esses resultados representaram um avanço em relação às duas temporadas anteriores, mas não tiveram continuidade: em 2026, vieram o rebaixamento estadual e uma nova eliminação na Série D, sem acesso. É essa sequência, de recuperação parcial seguida de retrocesso, que marca o balanço do futebol no período.
O desgaste também se aprofundou na administração. Às dificuldades financeiras somaram-se saídas de dirigentes, incluindo a renúncia do vice Derian Campos, e a abertura de um novo processo disciplinar no Conselho. As negociações da SAF chegam à transição sem uma solução confirmada.
Renúncia apresentada; saída será na segunda-feira
Segundo o conselheiro ouvido pelo EJ, o Conselho Deliberativo divulgará um comunicado oficial em breve. A carta já foi lida na reunião, mas a nota pública ainda não havia sido divulgada no momento da confirmação recebida pela reportagem.
A comissão de transição se reunirá nesta sexta-feira (2) para definir os papéis de seus integrantes e a atuação até a nova eleição. Darthanhan permanece no cargo até segunda-feira. A saída antecipa o prazo de 30 de novembro que havia sido comunicado ao Conselho em setembro.
Como Darthanhan chegou à presidência
Darthanhan foi eleito por aclamação e tomou posse em 31 de outubro de 2022, sucedendo Charles Fischer. A chapa Sou JEC foi a única inscrita para o mandato de 2023 e 2024. Derian Campos assumiu a vice-presidência.
Na apresentação oficial, o clube informou que o novo presidente tinha 39 anos, formação em publicidade e vínculo como sócio desde 1999. Antes de chegar ao Executivo, ele presidia o Conselho Deliberativo desde novembro de 2018. A gestão começou, portanto, sob o comando de alguém que já participava das decisões institucionais do Joinville.
A estrutura inicialmente anunciada incluía Geraldo Campestrini como CEO e dirigentes responsáveis pelas áreas financeira, jurídica e social. O desafio era recuperar competitividade em um clube que já convivia com dificuldades econômicas e ausência de estabilidade no calendário nacional.
Fonte: anúncio oficial da eleição e posse.
Reeleição ampliou o horizonte até 2028
Em 13 de setembro de 2024, Darthanhan foi reeleito, novamente sem concorrente. Uma alteração estatutária aprovada naquele ano ampliou o mandato presidencial para quatro anos, e a recondução projetava sua permanência até 2028.
O momento também era de lançamento de uma nova proposta esportiva. O projeto A Jornada, apresentado em 2024 com horizonte de 18 meses, teve Felipe Ximenes como CEO e Ney Franco como treinador. A proposta era dar continuidade ao trabalho e reconstruir o futebol. A temporada seguinte trouxe a semifinal estadual e o retorno à Série D, mas a melhora não se sustentou em 2026, quando o clube sofreu o rebaixamento catarinense.
Fontes: EJ, reeleição; CBN Total; JEC, contratação de Ney Franco.
O retrato dos 110 jogos
O levantamento dos resultados oficiais do futebol profissional masculino soma 110 partidas, 31 vitórias, 36 empates e 43 derrotas desde a posse até o último jogo computado, em 26 de setembro de 2026. Foram 119 gols marcados e 142 sofridos, com saldo negativo de 23.
O aproveitamento foi de 39,1% dos pontos possíveis, calculado com três pontos por vitória e um por empate em todas as partidas. O percentual de vitórias, indicador diferente, ficou em 28,2%.
| Ano | Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Gols pró | Gols contra | Aproveitamento |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2023 | 20 | 6 | 7 | 7 | 27 | 21 | 41,7% |
| 2024 | 20 | 3 | 12 | 5 | 26 | 30 | 35,0% |
| 2025 | 41 | 13 | 13 | 15 | 36 | 48 | 42,3% |
| 2026* | 29 | 9 | 4 | 16 | 30 | 43 | 35,6% |
| Total | 110 | 31 | 36 | 43 | 119 | 142 | 39,1% |
*2026 até 26 de setembro. O recorte acompanha o ciclo iniciado com a posse e inclui os jogos disputados durante a presidência interina de Derian Campos, entre fevereiro e agosto de 2026. Não representa 110 partidas sob exercício pessoal e contínuo de Darthanhan. Amistosos, base e futsal estão excluídos. Disputas por pênaltis não alteram o resultado da partida usado na contagem.
2023: primeira temporada sem calendário nacional
No primeiro ano completo, o JEC disputou 20 partidas. No Catarinense, terminou em nono lugar, com duas vitórias, seis empates e três derrotas em 11 jogos, fora das quartas de final.
A Copa Santa Catarina ofereceu outra oportunidade de prolongar a temporada e buscar uma vaga nacional. O time encerrou a participação com quatro vitórias, um empate e quatro derrotas, em quinto lugar. O ano terminou sem título e sem disputa de campeonato brasileiro.
Fontes: Catarinense 2023; Copa Santa Catarina 2023.
2024: classificação estadual, mas nenhuma vitória na Copa SC
O segundo ano teve avanço até as quartas de final do Catarinense, quando o Joinville caiu diante do Avaí. O balanço estadual foi de três vitórias, sete empates e três derrotas em 13 jogos.
Na Copa Santa Catarina, a equipe não venceu: foram cinco empates e duas derrotas em sete partidas. Somadas as competições, o JEC ganhou apenas três vezes em 20 jogos oficiais durante 2024. O número evidencia a dificuldade de transformar o projeto de reorganização em resultados.
Fonte: histórico de jogos de 2024, oGol.
2025: o melhor momento esportivo do ciclo
A temporada de 2025 concentrou os principais avanços esportivos. No Catarinense, o JEC eliminou o Criciúma nos pênaltis e chegou à semifinal. A campanha terminou diante da Chapecoense, com derrota por 2 a 1. Foram 13 jogos, três vitórias, seis empates e quatro derrotas, com a quarta colocação geral.
Na Série D, o Joinville voltou a disputar o Campeonato Brasileiro e passou da fase de grupos. O acesso, porém, ficou distante: depois do empate por 1 a 1 em casa contra o Cianorte, perdeu por 4 a 0 no Paraná e foi eliminado na segunda fase. A participação terminou com seis vitórias, quatro empates e seis derrotas.
Na Copa Santa Catarina, o clube alcançou a decisão, mas perdeu os dois jogos para o Figueirense: 4 a 1 e 2 a 1. O vice-campeonato encerrou uma campanha de quatro vitórias, três empates e cinco derrotas.
A vaga na Copa do Brasil de 2026 veio por outro caminho. O quarto lugar no Estadual, combinado com o acesso da Chapecoense à Série A e o remanejamento das vagas, garantiu a participação do JEC. A classificação não foi consequência do vice da Copa Santa Catarina.
Fontes: CBN Total, semifinal; CBF, Cianorte x JEC; balanço de 2025; Copa SC 2025; FCF, vaga na Copa do Brasil.
2026: rebaixamento e nova frustração nacional
O ponto mais baixo do período ocorreu no Catarinense de 2026. O JEC encerrou a competição com uma vitória, um empate e dez derrotas, nove gols marcados e 26 sofridos.
A queda foi confirmada em 20 de fevereiro. Depois da derrota para o Carlos Renaux na véspera, o Joinville dependia de outro resultado para manter chances no quadrangular do descenso. A vitória do Marcílio Dias sobre o Figueirense decretou o rebaixamento para a segunda divisão estadual de 2027.
Na Copa do Brasil, o JEC venceu o CSA por 1 a 0 e avançou, mas caiu na fase seguinte ao perder pelo mesmo placar para o São Bernardo. Na Série D, somou quatro vitórias, três empates e três derrotas em dez jogos, terminou em quinto no grupo A15 e ficou fora do mata-mata pelo saldo de gols.
Na Copa Santa Catarina, ainda em andamento no corte desta reportagem, o time havia disputado cinco partidas, com três vitórias e duas derrotas. Esse trecho da temporada permanece aberto e não deve ser tratado como campanha encerrada.
Fontes: jogos do Catarinense 2026; confirmação do rebaixamento; JEC x CSA; JEC x São Bernardo; CBF, Série D; FCF, Copa SC.
As mudanças no comando do futebol
A trajetória também teve sucessivas mudanças de treinador. Entre os nomes que comandaram o time estiveram Júlio César Nunes, Fabinho Santos, Ney Franco, Hemerson Maria e Leandro Sena.
Hemerson Maria iniciou 2025 e saiu após a eliminação na Série D. Leandro Sena foi contratado para a sequência daquela temporada, mas deixou o clube em janeiro de 2026. Depois das mudanças no início do Estadual, Serginho Braga foi efetivado para a Série D e saiu em junho. Diego Souza foi anunciado em agosto para a Copa Santa Catarina.
A sequência ajuda a explicar por que a continuidade pretendida nos projetos não se manteve. É preciso, porém, distinguir os momentos administrativos: parte dessas decisões de 2026 ocorreu durante a interinidade de Derian.
Fontes: saída de Hemerson Maria; contratação de Leandro Sena; saída de Sena; efetivação de Serginho; saída de Serginho; contratação de Diego Souza.
Recuperação judicial: uma etapa importante, com origem anterior
Uma das decisões institucionais mais relevantes ocorreu em 2023. O plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em março e homologado pela Justiça em maio. O processo já existia antes da posse de Darthanhan; a aprovação e o início da execução do plano aconteceram durante sua gestão.
Ao defender sua atuação nas comunicações de licença, o presidente argumentou que recebeu o clube em situação próxima da insolvência e que a manutenção das atividades exigiu lidar com dívidas herdadas e receitas insuficientes. Também defendeu mudanças no modelo de gestão.
Essa manifestação constitui a posição do dirigente. A avaliação dos resultados financeiros precisa considerar os demonstrativos do clube e os períodos a que cada número se refere.
Fontes: homologação do plano; primeira declaração de licença; manifestação de março de 2026.
Finanças: dívida acima de R$ 50 milhões e desequilíbrio persistente
O balanço de 31 de dezembro de 2022 registrava passivos de R$ 43,96 milhões.
Fonte: demonstrações financeiras de 2022.
O balanço de 2025 divulgado no JEC Report apresentou receitas de R$ 17,21 milhões e despesas de R$ 25,69 milhões, com déficit de R$ 8,48 milhões. O documento consolida futebol de campo e futsal. Por isso, o resultado não pode ser atribuído integralmente à operação do futebol profissional masculino. Despesas e provisões contábeis também não equivalem, necessariamente, a saída imediata de dinheiro.
Outro relatório oficial, com posição de 30 de junho de 2026, registrou dívida total de aproximadamente R$ 50,7 milhões. Desse montante, cerca de R$ 24 milhões correspondiam a provisões. O documento apontou ainda R$ 13,1 milhões ligados à recuperação judicial e aproximadamente R$ 7,1 milhões em empréstimos.
O relatório informou resultado negativo de R$ 2,58 milhões no primeiro semestre e receita realizada de R$ 3,55 milhões, abaixo dos R$ 7,21 milhões previstos. Esses valores são um retrato de junho, não um balanço do dia da saída. O estoque de dívida inclui obrigações anteriores e provisões e não representa, sozinho, quanto foi criado pela gestão.
Fontes: JEC Report, balanço de 2025; JEC Report, posição de junho de 2026.
O problema vai além da dívida herdada
A análise financeira oficial do primeiro semestre de 2026 mostra um desequilíbrio na operação: o clube registrou R$ 1,73 em gastos para cada R$ 1 de receita. Os custos do futebol chegaram a R$ 5,34 milhões, 21% acima do orçamento. Só pessoal e direitos de imagem somaram R$ 4,02 milhões, mais que toda a receita do semestre.
As obrigações com salários e rescisões subiram de R$ 1,64 milhão em janeiro para R$ 2,88 milhões em junho. O caixa disponível era de R$ 22 mil, diante de R$ 6,6 milhões com vencimento em até 12 meses. O documento também apontava atraso na recuperação judicial.
São sinais concretos de que o clube continuava acumulando compromissos sem receita suficiente para sustentá-los. O semestre abrange a presidência de Darthanhan e a interinidade de Derian, iniciada em fevereiro.
Fonte: JEC, análise financeira do primeiro semestre de 2026.
Transição também terá pendências salariais e da recuperação judicial
Segundo informações recebidas pelo Esporte Joinville, o clube chega à transição com atrasos salariais e parcelas da recuperação judicial em atraso. O relato trata da situação atual e é distinto dos números dos balanços anteriores.
O EJ também recebeu a informação de que uma folha CLT, atrasada em um mês, teria sido paga nesta quinta-feira aos funcionários em atividade no clube. Esse pagamento ainda não foi confirmado pela reportagem. Não há, até o fechamento, comprovação de quitação integral das pendências salariais ou atualização documental dos valores em aberto da recuperação judicial.
Contas rejeitadas e processos no Conselho
Em 16 de junho de 2026, as contas de 2025 foram rejeitadas pelo Conselho Deliberativo: 13 votos pela rejeição, oito pela aprovação e quatro abstenções.
Em setembro, o Conselho aprovou a abertura de um novo procedimento disciplinar, reunindo três representações no processo 03-26. A abertura de uma apuração não equivale à comprovação de irregularidade nem à aplicação de uma punição.
A cobrança por transparência integra essa crise. Segundo o Conselho Fiscal, após o parecer de 16 de junho, o órgão deixou de receber balancetes e documentos contábeis que deveriam ser entregues mensalmente. A reclamação aparece no contexto das representações que levaram à nova apuração. A ausência apontada compromete o acompanhamento das contas e acrescenta um problema de prestação de contas ao desequilíbrio financeiro.
Também há um antecedente que precisa integrar o relato: em abril, o Conselho havia arquivado processos contra Darthanhan e Derian, sem punições. São procedimentos distintos, e não se deve apresentar o novo processo como condenação ou confundi-lo com os casos arquivados.
Fontes: EJ, contas e novo procedimento; ge, arquivamentos de abril.
Licença, interinidade e retorno antecipado
Darthanhan anunciou licença de 30 dias em 23 de fevereiro de 2026, após o rebaixamento. O afastamento foi prorrogado e, em maio, o Conselho autorizou sua extensão até o fim do ano. Derian passou a conduzir a presidência interinamente.
O cenário mudou em 7 de agosto, quando Derian renunciou à vice-presidência e ao exercício interino, alegando razões pessoais e profissionais. Darthanhan reassumiu antes do prazo previsto. Em setembro, veio o anúncio da intenção de renunciar e a organização da transição.
Essa divisão é essencial para analisar o ciclo: o mandato eletivo continuava sendo de Darthanhan, mas a administração cotidiana ficou sob outro comando durante parte relevante de 2026.
Fontes: licença até dezembro; comunicado oficial de Derian; retorno de Darthanhan.
Saídas na diretoria e perda de sustentação política
O grupo que iniciou a gestão sofreu baixas importantes ao longo do caminho. Geraldo Campestrini, CEO e um dos responsáveis pelo plano da chapa Sou JEC, deixou o clube em março de 2023, após cerca de cinco meses. À época, afirmou que a saída ocorreu em comum acordo.
Em maio daquele ano, também saíram Flavinho Júnior, Murilo Schmitz e Alexander Vicenzi. Flavinho expôs publicamente divergências com a condução do projeto e criticou a forma de gastar os recursos. Darthanhan, naquele momento, apresentou as mudanças na diretoria como parte de uma reestruturação administrativa.
A renúncia de Derian, em agosto de 2026, atingiu o núcleo da chapa: saiu o vice eleito com Darthanhan e responsável por substituí-lo durante a licença. Derian alegou motivos profissionais. Não se pode atribuir a todas as saídas a mesma motivação, mas a sequência evidencia a dificuldade de preservar a equipe e a continuidade do projeto.
Somadas à rejeição das contas, às cobranças do Conselho Fiscal e à abertura de novo processo disciplinar, essas perdas ajudam a explicar o enfraquecimento político do presidente. A renúncia encerra uma gestão desgastada também fora de campo, com sua capacidade de conduzir a continuidade do projeto progressivamente reduzida.
Fontes: saída de Campestrini; manifestações de Flavinho Júnior; mudanças de 2023; renúncia de Derian.
SAF segue como uma das principais pendências
As negociações para a SAF atravessaram diferentes fases e interessados. Em abril de 2026, o Conselho aprovou uma proposta ligada a BR Football e Sportheca, condicionada à conclusão contratual. Durante a interinidade, outro movimento envolveu o Consórcio 76. Depois vieram divergências sobre contratos e distratos.
Em setembro, Tarciso anunciou desistência, enquanto ERX e Sportheca afirmaram continuar interessadas. A Sportheca sustentava a validade de seu vínculo contratual. Essa é a posição da empresa em uma disputa, e não uma conclusão jurídica desta reportagem.
No corte da apuração, não havia confirmação de uma transação concluída. O processo permanece entre os assuntos que a transição terá de enfrentar, junto com o financiamento do futebol e a preparação para a segunda divisão estadual.
Fontes: histórico das negociações; situação dos interessados em setembro.
Arena: manutenção do clube e obra pública têm origens diferentes
No início da gestão, o JEC anunciou ações de recuperação do gramado da Arena, iniciadas em novembro de 2022, e uma parceria de manutenção que também abrangia o centro de treinamento. Era uma intervenção de conservação, não a substituição integral do campo.
A troca do gramado anunciada em 2026 pertence a outro projeto. A Prefeitura informou investimento de aproximadamente R$ 4 milhões com recursos estaduais. A execução foi adiada a pedido do clube para depois da Série D, e a ordem de serviço entrou na agenda de junho. Trata-se de obra pública que beneficia a estrutura utilizada pelo JEC, e não de investimento integral da gestão presidencial.
Fontes: JEC, manutenção em 2022; Prefeitura, adiamento; Prefeitura, recursos e ordem de serviço.
Balanço: fracasso na recuperação esportiva e financeira
A semifinal estadual e o vice da Copa Santa Catarina em 2025 foram resultados pontuais. Não se transformaram em título do futebol profissional, acesso nacional ou estabilidade. O ciclo termina com o JEC rebaixado à segunda divisão catarinense, uma regressão esportiva que pesa mais que as campanhas intermediárias.
Na administração, a reorganização financeira tampouco foi entregue. A aprovação da recuperação judicial abriu uma oportunidade para ordenar o passivo, mas o clube chega à transição com atrasos relatados, desequilíbrio entre receita e despesa e cobranças por documentação contábil. A dificuldade herdada ajuda a entender o ponto de partida; não elimina a responsabilidade pelos resultados e pelas decisões tomadas ao longo de quase quatro anos.
O balanço é de fracasso nos objetivos centrais de recuperação esportiva e financeira. A gestão não encerra o mandato com uma solução sustentável para o futebol e deixa à próxima administração a tarefa de recuperar competitividade, regularizar compromissos e reconstruir a confiança de conselheiros, funcionários, credores e torcedores.
Torcedores esperam dias melhores
A expectativa de saída já provocava manifestações de alívio e comemoração nas redes sociais. Na publicação do Esporte Joinville de quarta-feira (30), sobre a renúncia prevista para o dia seguinte, predominaram mensagens favoráveis à saída e críticas à gestão entre os 13 comentários carregados e lidos pela reportagem. “Amém, Aleluia” e “Tava mais que na hora” estão entre as reações.
Esse recorte mostra a recepção de parte dos torcedores que comentaram a postagem, sem representar uma pesquisa com toda a torcida. A reportagem também recebeu relatos de intenção de retorno ao quadro de sócios, mas não há confirmação de novas adesões decorrentes da mudança.
Fonte: comentários na publicação do Esporte Joinville de 30 de setembro.
A esperança de uma nova fase acompanha uma cobrança concreta: que o próximo comando consiga transformar apoio em organização, transparência e resultados. A saída de Darthanhan abre essa possibilidade, mas a reconstrução dependerá das decisões da transição e da futura direção.
O Esporte Joinville abordará os próximos passos e as perspectivas desse novo ciclo em outra reportagem.
Critério do levantamento: partidas oficiais da equipe profissional masculina disputadas após a posse de 31/10/2022, com último resultado incluído em 26/9/2026. As somas foram calculadas a partir dos registros por competição de CBF, FCF, oGol e Zerozero. Os dados financeiros mantêm o período e o escopo de cada documento.
Fonte: Apuração do Esporte Joinville; documentos do JEC, CBF e FCF; fontes vinculadas na reportagem.