O futsal é um esporte de detalhes e a imprevisibilidade o torna tão emocionante e apaixonante. Mas, para o torcedor do JEC Futsal, parece que alguns desses detalhes insistem em se transformar em pesadelos. A derrota para o Carlos Barbosa na final da primeira edição da Copa LNF, em Pato Branco, no Paraná, teve um roteiro dolorosamente familiar. Mais uma vez, o Tricolor esteve a poucos segundos de conquistar um título nacional. Mais uma vez, viu a taça escapar diante de uma equipe gaúcha em um ginásio paranaense. E mais uma vez, com o cronômetro se encaminhando para o zero.
O tempo e o cenário mudaram, mas a lembrança é inevitável. Em 2023, na primeira final única da história da Liga Nacional, o Joinville enfrentou o Atlântico, em Toledo, também no Paraná. O placar terminou em 2 a 1 para os gaúchos, que marcaram o gol da vitória quando faltavam apenas nove segundos para o fim da partida.
O calendário avançou três anos, mas o desfecho parece não ter mudado. Outra cidade paranaense, outro adversário gaúcho, outra final nacional e, novamente, um gol nos últimos segundos para transformar a festa que parecia próxima em frustração para o Joinville

Há ainda um personagem que atravessa as duas histórias e com protagonismo impossível de passar batido. William Bolt é o nome dele. O jogador esteve do outro lado nas duas decisões e, não foi apenas mais um. Em 2023, marcou o gol de empate. Três anos depois pode até não ter balançado a rede e ter visto Renan Fogaça marcar dois mas, novamente, parecia o maestro que regia a equipe gaúcha. Um adversário que parece ter se acostumado a frustrar os planos do JEC Futsal justamente quando o título está tão perto.
Depois de mais uma decisão perdida nos detalhes, o sentimento era de frustração. Artilheiro, ídolo e jogador com uma identificação como poucos com o Tricolor, Fernando também viveu a derrota de 2023 e reconheceu a semelhança entre os episódios, mas sabe que diferente daquele ano, nesta temporada o trabalho continua e a busca por outros dois títulos segue.
“É difícil falar. A gente sabe que fez um grande jogo e que as coisas acontecem nos detalhes. A gente sabe que o futsal é assim. Em 2023 a gente já sofreu e agora, de novo. É ter cabeça boa agora e continuar trabalhando porque ainda temos o Catarinense e a Liga para disputar”, disse ainda na quadra onde tudo aconteceu.

Pedro Rei que viveu essa sensação do título escapar das mãos quando estava tão próximo também falou sobre o peso do resultado e fez questão de agradecer à torcida que acompanhou a equipe em Pato Branco e a quem ficou em Joinville na torcida.
“Desculpa por não levar esse resultado, mas a gente lutou até o final. E o ano segue e a gente vai se fortalecer muito com isso”, ressaltou.

O discurso de Davi Mendonça foi de reconhecimento à dor, mas também de compromisso. São apenas dez meses de trabalho à frente do JEC Futsal e, neste tempo, dois títulos, duas quedas em semifinais, o vice da Copa LNF e mais duas semifinais que podem terminar em comemoração no Campeonato Catarinense e na Liga Nacional, uma campanha que não à toa colocou o Joinville na primeira prateleira de favoritos em todas as competições. O treinador destacou a dedicação do grupo e prometeu intensificar ainda mais a preparação para os próximos desafios.
“A promessa que eu faço para o torcedor do Joinville é que a gente vai trabalhar 10 vezes mais para chegar em jogos decisivos e não sair com esse sentimento de que alguma coisa aconteceu de forma negativa”, salientou.
O resultado em Pato Branco não apaga o caminho percorrido pelo Tricolor até a decisão, nem o trabalho desenvolvido ao longo da temporada. Mas deixa uma ferida que, para quem viveu a final de 2023, tem um gosto ainda mais amargo.
Duas finais nacionais, duas cidades paranaenses, dois adversários gaúchos e dois gols sofridos quando o título parecia estar ao alcance das mãos. O JEC Futsal vai ter que transformar mais essa frustração em combustível. Porque a temporada continua, e ainda há batalhas importantes pela frente. Mas, por enquanto, fica a sensação de que, três anos depois, o relógio voltou a ser um adversário difícil de vencer.
