Diante da tradicional ACBF, Tricolor busca o título inédito e tenta coroar ainda mais uma temporada de protagonismo nas quadras
Drika Evarini
Entre coroar uma campanha memorável e marcar o início de uma era vitoriosa, o JEC Futsal terá neste sábado a oportunidade de fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
O Tricolor enfrenta a ACBF neste sábado (31), às 19h, na Arena Cláudio Petrycoski, em Pato Branco na decisão da primeira edição da Copa LNF. Um jogo, uma taça e um lugar reservado na história para quem vencer.
Para o JEC Futsal, o confronto representa mais um capítulo de um ano marcado pela consistência. O time chegou ao menos às semifinais de todas as competições que disputou em 2026, faturou a Recopa SC e levantou o título inédito da Copa do Brasil. Agora, tem diante de si a chance de acrescentar mais um troféu a uma trajetória irretocável.

O caminho até Pato Branco não foi simples. O Tricolor precisou superar Blumenau, Chopinzinho, São Caetano e Camaquã para alcançar a grande final. Dos quatro jogos, um foi decidido na prorrogação, outro com uma virada frenética nos minutos finais e ainda teve a emocionante classificação para a final, que veio nos pênaltis. Em comum, um detalhe que faz diferença em um ano que a equipe está invicta no Centreventos Cau Hansen. Todas as partidas e vitórias aconteceram fora de casa. Ou seja, o time construiu as classificações longe do conforto e da força de decidir diante da própria torcida. E não vai ser diferente na final, disputada a mais de 480 quilômetros de casa.
O Carlos Barbosa percorreu uma estrada semelhante, eliminando Sport, Joaçaba, Dracena e Juventude, todos também longe da serra gaúcha. Se o Joinville chega embalado pelas conquistas recentes, o adversário traz uma tradição que dispensa apresentações. Carlos Barbosa carrega uma das camisas mais respeitadas do futsal brasileiro, com sete títulos da Libertadores, e foi justamente em sua quadra que conquistou a taça continental nesta temporada.
A campanha internacional, porém, não evitou a queda nas quartas de final da Liga Nacional diante do Atlântico, em uma série encerrada com duas derrotas. Um cenário distinto do vivido pelo JEC Futsal, que segue marcando presença nas decisões e mantém a oportunidade de fechar o ano no topo.

Mas tradição e momento não jogam sozinhos. E o Joinville tem motivos de sobra para acreditar. Em maio, no Centreventos, o Tricolor venceu a ACBF por 4 a 2 pela Liga Nacional. O resultado recente não define o que acontecerá em Pato Branco, mas serve como lembrete de que o rival pode ser batido. Em jogo único, a confiança é fundamental, mas traduzi-la em desempenho dentro de quadra será indispensável.
O retrospecto entre os clubes também dimensiona o tamanho do duelo. Em 2018, Joinville e Carlos Barbosa decidiram a Libertadores em solo gaúcho. Na ocasião, os donos da casa venceram por 4 a 1 e ficaram com o título. Desde então, os caminhos voltaram a se cruzar em momentos decisivos, mas quis o destino que o reencontro em uma decisão fosse justamente em uma final nacional inédita, que oferece um capítulo novinho em folha para essa rivalidade.
Há ainda uma conexão direta que une as duas camisas. Alves, Kevin, Pedro Rei e Dieguinho já defenderam o Carlos Barbosa e hoje vestem a camisa tricolor. Do outro lado, Murilo fez o caminho inverso. São atletas habituados à pressão, às exigências e ao peso de representar clubes acostumados a grandes conquistas.

Nesta decisão, a experiência pode fazer a diferença, mas talvez o fator determinante seja a capacidade mental de responder à altura quando a partida exigir mais do que técnica, afinal, em um jogo único não há margem para erro, não se pode “deixar para a volta”. A volta para casa será ou de frustração ou com mais uma taça na bagagem.
A Copa LNF nasceu nesta temporada e ainda não inaugurou sua galeria de campeões. Quem vencer será o pioneiro dessa lista. Para o JEC Futsal, a partida vai além de erguer um troféu inédito, é a oportunidade de transformar uma trajetória regular em um marco inesquecível.
O Tricolor já provou que sabe chegar, já mostrou que supera adversidades fora de casa e já bateu a ACBF neste ano. Agora, resta apenas o passo final.

Neste sábado, não haverá vantagem prévia, haverá apenas uma quadra neutra e um gigante pela frente. E o JEC Futsal tem em mãos a caneta para escrever nessa primeira página seu nome em preto, branco e vermelho.
