O processo da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Joinville ganhou novos encaminhamentos. Em carta datada de 28 de outubro, a BR Football Participações Ltda. propõe à nova diretoria a retomada das negociações e pede manifestação em dez dias corridos, contados do recebimento do documento. Ao mesmo tempo, a gestão de Carlos Antônio Grendene informou ao Esporte Joinville que encaminhou ao Conselho Deliberativo um documento relacionado à proposta da ERX, de Eduardo Hood Neves. Segundo a diretoria, o contato com Eduardo Tega foi feito nesta quinta-feira (5), via WhatsApp, após as notícias sobre a carta circularem na imprensa.
A diretoria executiva afirma que acelerar a SAF faz parte do compromisso assumido durante a campanha eleitoral, mas ressalta que não existe empresa ou proposta favorita. Segundo a gestão, as propostas serão encaminhadas para análise do Conselho.
Carta foi noticiada primeiro por Dudu Silva
A informação sobre a carta da BR Football foi divulgada primeiro no Instagram de Dudu Silva, no perfil @dudusilvaoficiall. Na publicação, o jornalista informa, com base em apuração da Rádio 89 FM, que o documento chegou ao clube na sexta-feira, 30 de outubro.
Em contato posterior com o EJ nesta quinta-feira (5), a diretoria afirmou que a correspondência ainda não havia chegado às mãos do presidente ou de algum diretor e que tomou conhecimento do conteúdo pela imprensa. O relato sobre a circulação interna do documento não permite, por si só, estabelecer quando ocorreu o recebimento formal pelo clube.
Segundo a diretoria, o contato com Eduardo Tega foi feito nesta quinta-feira (5), via WhatsApp, depois das notícias e informações sobre a carta que circularam na imprensa, para agendar uma reunião. Em nova resposta à reportagem do Esporte Joinville nesta quinta-feira (5), o empresário confirmou o contato e disse que as partes estão verificando uma agenda para os próximos dias. Não foi informada uma data para o encontro.
A carta é dirigida a Grendene, ao vice-presidente Júlio César Vieira e ao diretor jurídico Maycon Truppel Machado, com cópia à presidência do Conselho Deliberativo. Ela é assinada por Eduardo Conde Tega, identificado no documento como CEO da BR Football.
O que a BR Football solicita
No documento, a empresa propõe uma reunião com a nova administração e a definição conjunta de um cronograma para entrega de documentos e conclusão da diligência confirmatória, etapa de verificação da situação do clube.
A BR Football também pede que, durante os dez dias destinados à resposta, o JEC não delibere sobre propostas de terceiros. Para fundamentar o pedido, cita a obrigação de exclusividade que afirma estar prevista na cláusula 13.2 do Contrato Vinculante.
A empresa acrescenta que, caso não haja manifestação dentro do prazo, adotará medidas jurídicas para preservar o que considera seus direitos e garantias. A carta não informa que uma ação judicial já tenha sido ajuizada.
O prazo mencionado no texto começa no recebimento, e não automaticamente na data de 28 de outubro. Sem a comprovação de quando a correspondência foi recebida, não é possível estabelecer, com base apenas na carta, o dia de vencimento da solicitação.
Aportes, garantias e participação na SAF
A BR Football declara que ela e a Sportheca estão ao lado do clube desde janeiro de 2025 e que, nesse período, foram aportados R$ 6.433.251,18, em valores históricos, para cobrir o caixa do JEC.
O documento vincula esses recursos ao Memorando de Entendimentos e ao Termo de Compromisso de Investimento de janeiro de 2025, além de uma confissão de dívida de dezembro daquele ano. Os valores e as condições são apresentados pela empresa na correspondência.
A carta sustenta, ainda, que os aportes contam com garantias sobre receitas do clube e que uma eventual transferência do controle da SAF a terceiros provocaria o vencimento antecipado do saldo devedor, a ser quitado antes do fechamento da operação.
A BR Football afirma querer retomar o diálogo a partir de manifestações atribuídas à presidência do JEC em agosto, quando, segundo o documento, foi discutida uma composição de 90% para a empresa e 10% para a associação, sem obrigação de venda da participação minoritária.
Em esclarecimento posterior ao EJ, Tega afirmou que a composição de 90% para a BR Football e 10% para a associação foi um pedido do Conselho. Segundo ele, a empresa respondeu formalmente concordando com essa divisão, como um sinal de boa vontade na troca de notificações.
Tega aponta diligência inconclusa e questiona exclusividade
Em manifestação encaminhada à reportagem do Esporte Joinville, Eduardo Tega afirmou que a empresa não conseguiu concluir a diligência necessária para verificar a situação do clube e avaliar se as condições dimensionadas para a proposta continuam adequadas.
“a gente não conseguiu vencer nem esse passo”, afirmou, em referência à diligência. Tega alegou ainda que “ao longo do caminho a exclusividade foi quebrada”. O empresário mencionou notícias sobre a busca de outras soluções e a assinatura de pré-contratos com interessados, defendendo que os próximos passos sejam examinados pelos jurídicos à luz dos documentos e compromissos assumidos.
Tega afirmou que, se houve a assinatura de contrato para uma nova proposta de SAF, isso representaria uma quebra da exclusividade que, segundo ele, ainda existe com a BR Football.
Na mesma resposta, ao ser perguntado sobre o contato da gestão após as notícias da carta e o agendamento de uma reunião, confirmou: “Sim, acabou de entrar em contato e estamos verificando uma agenda nos prox dias.”
Chineque noticiou assinatura; diretoria informa encaminhamento ao Conselho
A informação sobre a assinatura de um contrato pelo presidente executivo do JEC com Eduardo Hood Neves, relacionada à nova contraproposta da ERX, foi divulgada pelo Chineque, no perfil @ochineque.
Em atualização ao EJ, a diretoria informou que o documento foi assinado por Grendene e encaminhado na quarta-feira (4) ao presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Edigar Zimmermann.
A diretoria afirma que a proposta da ERX não contém cláusula de exclusividade e que o material será apresentado aos conselheiros na próxima reunião.
O presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Edigar Zimmermann, confirmou ao Esporte Joinville que a SAF estará na pauta da reunião da próxima semana.
Eduardo Hood Neves já havia reafirmado ao EJ, em setembro, a continuidade do interesse da ERX, após a saída de Tarciso Batista do processo. Do outro lado, Eduardo Tega mantinha a posição da Sportheca de que o contrato com o JEC continuava válido.
O histórico no Conselho
Em comunicado oficial de 23 de abril, o JEC informou que o Conselho havia aprovado a proposta remodelada da BR Football, por 27 votos favoráveis, quatro contrários e quatro abstenções. A nota autorizava a diretoria a firmar um contrato vinculante com condições precedentes e previa o encaminhamento dos termos da operação para apreciação definitiva dos associados em assembleia.
O novo contato entre a diretoria e a BR Football, além da apresentação do documento da ERX ao Conselho, são os próximos passos relatados nesta quinta-feira. Não há anúncio de negócio concluído.
Vale lembrar que, em 8 de julho, o JEC enviou à BR Football uma notificação extrajudicial de rescisão imediata do contrato vinculante, assinada pelo então presidente em exercício, Derian de Oliveira Campos. A BR Football não aceitou os efeitos da medida e, em resposta de 25 de agosto, sustentou que o contrato e a exclusividade continuavam vigentes. A rescisão comunicada pelo clube permanece, portanto, como um ponto de divergência entre as partes.
Leia a carta na íntegra
São Paulo, 28 de outubro de 2026.
Ao JOINVILLE ESPORTE CLUBE R. Inácio Bastos, 1084 – Bucarein, Joinville – SC, 89202-310
A/C: Sr. Carlos Antônio Grendene – Presidente Sr. Júlio César Vieira – Vice-Presidente Dr. Maycon Truppel Machado – Diretor Jurídico C/c: Presidência do Conselho Deliberativo
Ref.: Continuidade das negociações para constituição da JEC SAF
Prezados Senhores,
Cumprimentamos a nova Diretoria pela eleição e desejamos êxito na gestão que se inicia. Sabemos que o Joinville Esporte Clube atravessou meses de grande instabilidade institucional, com sucessivas mudanças em sua administração, e reconhecemos o tamanho do desafio que V.Sas. assumem neste momento.
A BR Football Participações Ltda. e a Sportheca estão ao lado do JEC desde janeiro de 2025. Nesse período, foram aportados R$ 6.433.251,18 (seis milhões, quatrocentos e trinta e três mil, duzentos e cinquenta e um reais e dezoito centavos), em valores históricos, para cobrir o caixa do clube, com base no Memorando de Entendimentos e no Termo de Compromisso de Investimento, firmados em janeiro de 2025, bem como no Instrumento Particular de Confissão de Dívida, firmado em dezembro de 2025. Em abril de 2026, o Conselho Deliberativo aprovou a proposta de SAF da BR Football, e, em junho, foi firmado o Contrato Vinculante que regula a operação.
Não pretendemos reabrir as divergências tratadas nas notificações trocadas desde julho. Registramos apenas que, em agosto, a Presidência do clube manifestou interesse na continuidade da operação “conforme os instrumentos firmados”, considerou “um caminho muito positivo” a composição de 90% para a BR Football e 10% para o JEC, sem qualquer obrigação de venda ou transferência dessa participação minoritária, e propôs um novo cronograma para a diligência. É desse ponto que a BR Football deseja retomar o diálogo.
Dessa forma, gostaríamos de propor (i) a realização de uma reunião, em data e local a serem definidos em conjunto, com a participação de quem V.Sas. entenderem pertinente; e (ii) a definição conjunta de um cronograma para a entrega da documentação e a conclusão da diligência confirmatória.
Por dever de transparência, a BR Football informa que os valores aportados contam com garantias sobre receitas do clube, nos termos do Memorando de Entendimentos, bem como que, na hipótese de transferência do controle da SAF a terceiros, o saldo devedor vence antecipadamente e deve ser quitado antes do fechamento da operação.
Diante disso, solicitamos que a Diretoria se manifeste sobre a retomada das negociações, no prazo de 10 (dez) dias corridos contados do recebimento desta carta, e que, nesse período, em observância à obrigação de exclusividade prevista na Cláusula 13.2 do Contrato Vinculante, o clube não delibere sobre propostas de terceiros.
Decorrido o prazo sem manifestação de V.Sas., a BR Football adotará as medidas jurídicas necessárias à preservação de seus direitos e garantias, sem prejuízo de permanecer aberta ao entendimento.
A BR Football reitera que prefere construir a solução em conjunto com a nova Diretoria e confia que é esse também o interesse do clube, de seus associados e de sua torcida.
Atenciosamente,
BR FOOTBALL PARTICIPAÇÕES LTDA.
Eduardo Conde Tega CEO