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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

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Joinvilense Vini Schurtz conquista ouro no Pan-Americano de Beach Tennis e realiza sonho que começou aos 13 anos

Depois de dois vice-campeonatos e cinco participações na competição, atleta venceu a categoria até 18 anos em Cuiabá e chegou ao título que perseguia desde a estreia

Vini Schurtz durante uma partida de beach tennis
Foto: Acervo pessoal Foto: Acervo pessoal

Quando Vini Schurtz disputou seu primeiro torneio aos 13 anos, deu início a uma trajetória marcada pela persistência. Foram cinco participações no Pan-Americano de Beach Tennis, três pódios e dois vice-campeonatos. O dia 27 de setembro de 2026, no entanto, ficará marcado como aquele em que o sonho virou realidade. Em Cuiabá, o joinvilense alcançou o lugar mais alto do pódio.

Ao lado do maranhense Augusto Neto, Vini venceu a categoria masculina Sub-18 e conquistou o ouro para o Brasil. Na final, disputada contra outra dupla brasileira, formada por João Godoy (MT) e Giovanni Nomelini (Campinas), a vitória veio por 2 sets a 1, com parciais de 7/6 (7/5), 3/6 e 10/1, em uma partida eletrizante com mais de duas horas de duração.

Mais do que o resultado, o título representou o fim de uma espera iniciada em 2021, quando Vini estreou no Pan-Americano em Caiobá (PR) e terminou em terceiro lugar na categoria sub-14. No ano seguinte, na Argentina, foi vice-campeão, o que se repetiu em 2024, em Aruba. Em 2025, já na categoria Sub-18, o joinvilense terminou na quarta posição, em Caraguatatuba (SP).

Agora campeão, ele olha para trás e rapidamente identifica o que mudou no atleta que perdeu a final em 2024 e o que venceu em 2026.

“Eu acho que a diferença é que amadureci bastante como pessoa e como atleta. Vivi momentos importantes que me mudaram. Sobre a minha competição, fui um cara com mais resiliência e paciência; soube buscar o jogo mesmo estando toda hora atrás do placar”, conta.

A capacidade de permanecer focado foi colocada à prova na decisão. Além do forte calor de Cuiabá, Vini precisou encarar uma dupla adversária que não deu margem para a acomodação. Para ele, um dos principais desafios foi manter a confiança nos momentos decisivos.

“Acho que o maior desafio foi vencer o calor, com certeza. Em Cuiabá estava muito quente. E também acreditar que era possível, ir para a bola nos momentos decisivos e não ter medo de perder, como aconteceu nas outras vezes”, ressalta.

A postura madura virou lição para a sequência da carreira. Depois de bater na trave em edições anteriores, o joinvilense aprendeu a respeitar o próprio processo. “Aprendi a sempre acreditar em mim e que tudo tem o tempo de Deus”, reforça.

O título também ganhou um significado especial pela convivência com a delegação brasileira. Mesmo em uma competição com disputas individuais por duplas, Vini destaca o espírito de equipe.

“O Pan me ensinou a torcer pelo próximo. Mesmo sendo um título da minha dupla, estar com o pessoal de todas as categorias traz uma união muito massa, uma atmosfera diferente”, relata.

Dupla brasileira em ação no beach tennis
Foto: Acervo pessoal

O abraço que resume a conquista

Quando o último ponto da final terminou, Vini caiu de joelhos na areia. A primeira lembrança foi de tudo o que precisou enfrentar para aquele momento chegar.

“Para mim, foi o resultado mais emocionante da minha carreira, disparado. Significa que tudo tem o seu tempo e que o Vini de 2021, que começou aos 13 anos, realizou o sonho dele. Veio na minha cabeça: eu consegui”, lembra.

Logo depois, o jovem correu para abraçar a mãe, que acompanhava tudo da arquibancada. “Eu só queria chegar nela e falar que tinha conseguido”, diz.

A presença da família acompanha Vini desde os primeiros passos no esporte. Foi com eles que conheceu o beach tennis, aos sete anos, no Litoral Norte de Santa Catarina. Aos 11, começou a treinar sério e, aos 12, passou a disputar competições fora de Joinville e do estado.

A mãe, ex-atleta, ocupa um papel central nessa caminhada. “Ela acredita muito em mim, até porque já foi atleta. Muitas vezes, quando eu não estou bem, ela é quem continua acreditando. Minha família significa muito, mas ela é uma figura de muito peso para mim”, destaca.

Do primeiro pódio ao título

A conquista em Cuiabá é mais um capítulo de uma trajetória vitoriosa. Vini já acumula três títulos na categoria BT 10 e vice-campeonatos nas categorias BT 50 e BT 100 do Circuito Mundial de Beach Tennis, em torneios homologados pela ITF (Federação Internacional de Tênis).

Mas o Pan-Americano tinha um sabor diferente. Depois de cinco participações, o ouro finalmente veio e o título não encerra suas ambições, pelo contrário, Vini quer seguir evoluindo, subir no ranking e vestir novamente a camisa do Brasil em palcos ainda maiores.

“O meu sonho é seguir o meu caminho. Quero jogar a Copa do Mundo pelo meu país e me tornar um jogador bem ranqueado”, projeta.

Aos 18 anos, o joinvilense guarda uma nova e marcante memória. Afinal, após três pódios sem o topo, a espera acabou. O sonho iniciado aos 13 anos virou realidade, e no peito agora brilha a medalha de ouro.

Drika Evarini

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