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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

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JEC Futsal

Quando a bola pesada ensina a perder

Favorito ao penta, JEC Futsal deixa a Taça Brasil na semifinal, mas encontra no Ceará um lembrete de que o futsal brasileiro é maior do que qualquer favoritismo

Jogadores do JEC Futsal reunidos em quadra na Taça Brasil.
Foto: Cecilia Prutchansky/CBFS Foto: Cecilia Prutchansky/CBFS

Favorito ao penta, JEC Futsal deixa a Taça Brasil na semifinal, mas encontra no Ceará um lembrete de que o futsal brasileiro é maior do que qualquer favoritismo

Drika Evarini

O JEC Futsal foi ao Ceará em busca do penta, voltou com uma derrota e, no caminho entre uma coisa e outra, descobriu que a Taça Brasil é grande demais para caber em qualquer favoritismo.

Há menos de 20 dias, o JEC Futsal era campeão, ainda havia festa no Centreventos Cau Hansen, ainda havia fotos da taça inédita da Copa do Brasil, ainda havia a sensação boa de quem acabara de escrever mais uma página importante da história. O 6 a 0 sobre o Minas ainda estava fresco. A temporada parecia desenhar um caminho conhecido, o de que o Tricolor chegava a mais uma competição como favorito, carregando a confiança de quem vinha fazendo quase tudo certo. Só que o futsal não costuma respeitar o que parece certo.

A Taça Brasil começou e o JEC Futsal confirmou, dentro de quadra, o motivo de tamanha expectativa. Foram quatro vitórias em cinco jogos, 36 gols marcados e apenas cinco sofridos. Uma campanha que, em qualquer outro momento, talvez fosse suficiente para explicar o favoritismo, que refletiu em uma classificação tranquila e que parecia o pavimento sólido de uma estrada campeã, mas havia o Traipu.

E quis o destino que as duas equipes já tivessem se encontrado na temporada. Poucas semanas antes, o Tricolor goleou o time alagoano duas vezes na semifinal da Copa do Brasil. Parecia que aquela história estava resolvida, mas não estava.

No Ceará, em um jogo único, foi o Traipu quem venceu por 4 a 3 e fechou a porta que poderia levar o JEC Futsal ao penta. É o tipo de resultado que o torcedor demora um pouco para aceitar. Principalmente porque não combina muito com o que ele vinha experienciando. Porque a derrota chegou depois de um título inédito, de uma goleada histórica, de uma sequência que colocava o Tricolor entre os principais candidatos a tudo.

E, para o bem e para o mal, é justamente neste ponto que está a beleza do esporte. Ele não permite que a gente viva para sempre na última vitória, na última conquista, na última taça levantada, na última comemoração.

A taça da Copa do Brasil não entrou em quadra no Ceará. Os quatro títulos anteriores da Taça Brasil também não. O favoritismo ficou do lado de fora. Dentro das quatro linhas, eram cinco contra cinco, uma bola e a possibilidade de que tudo desse errado.

E deu. Só que, enquanto o JEC Futsal se despedia, outra história começava a ganhar força.

A Taça Brasil terminou com uma final nordestina. De um lado, o Traipu, campeão da edição passada. Do outro, o Atlético Piauiense, atual campeão brasileiro. Dois clubes que talvez não tenham o mesmo espaço que os gigantes do futsal brasileiro ocupam no imaginário de quem acompanha a modalidade, mas que chegaram até ali porque alguém trabalhou, alguém acreditou, alguém colocou uma equipe em quadra e decidiu que também queria escrever sua própria história. E não foi a primeira vez, afinal o Traipu vinha de três títulos consecutivos de Taça Brasil: a segunda divisão, a primeira divisão e a sonhada divisão especial.

E isso diz muito. Durante muito tempo, talvez tenhamos olhado para o futsal brasileiro como se ele tivesse alguns endereços certos. Como se fosse preciso estar em determinada região, vestir determinadas camisas, enfrentar determinados adversários para ser protagonista.

E mais uma vez, a Taça Brasil tratou de lembrar que não. O futsal não tem endereço fixo. O mapa do futsal brasileiro não está restrito da “metade” do país para baixo.

Ele nasce numa quadra do Sul, cresce numa cidade do Nordeste, encontra talento no interior, atravessa estados dentro de um ônibus, sobrevive a viagens longas, a estruturas diferentes, a dificuldades diferentes. E chega, de repente, a uma final nacional.

O JEC Futsal foi ao interior do Ceará para buscar o pentacampeonato e volta trazendo algo que não estava no planejamento. Volta com ainda mais certeza de que a camisa continua grande, mas que o mundo ao redor dela também cresceu.

Davi Mendonça é prova disso. Sergipano, o treinador conquistou o mundo e não desembarcou em Joinville à toa. Ele mostra, diariamente, que o futsal é sim nordestino, embora muitos torcedores se neguem a admitir. Aliás, em Joinville nós já tivemos provas suficientes. Quem não se lembra de Frede Gol que, por ironia, é justamente de São João do Jaguaribe.

Há um ano, Davi Mendonça comemorava o título da Taça Brasil justamente comandando o Traipu e, depois da eliminação para o ex-clube, escreveu sobre resiliência. Sobre fazer o melhor todos os dias. Sobre entender que existem derrotas na vida de um campeão e vitórias na vida de um perdedor.

Xuxa, capitão e símbolo de tantas conquistas, resumiu de outra forma: seguir em frente. Nesta semana, o JEC Futsal já tem outra decisão e outra chance de comemorar. Entendo que seja justamente isso que uma temporada longa como a do futsal exige de quem pretende disputar tudo, a capacidade de comemorar sem se acomodar e de perder sem se desmontar.

O JEC Futsal deixa o Ceará sem o penta, mas com uma campanha que mostra a força construída ao longo do ano. E deixa também uma lembrança que vai além dos números, a de que o campeão da Copa do Brasil também pode ser eliminado. O favorito também pode cair. E o adversário que parece estar do outro lado da história pode, em uma noite, tomar para si o protagonismo. Foi o que aconteceu, o Traipu escreveu seu capítulo contra o Tricolor. E o Atlético Piauiense escreveu o próximo, sendo o grande campeão da Taça Brasil.

E o JEC Futsal agora vira a página porque não há tempo para mais do que isso. Quem entrega o seu melhor chega nas decisões e na reta final do ano, a temporada continua e a bola pesada não para de rolar.

Drika Evarini

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